março 12, 2007

HEINEKEN REGATTA - A LOUCURA DO 2º DIA





Durante a 2ª regata, só deu para tirar estas fotos, o resto foi sempre a abrir! Uma pequena pausa nesta popa que chegou a tocar os 9,2 nós.
Depois da chegada, foi a tortura de saber os resultados do dia...Saíram todas as classes menos a nossa. Mais cerveja, menos cerveja e nada...Foi pior do que um parto! Fizemos até espera junto ao contentor da organização...A ansiedade não era muita, mas estávamos em pulgas para saber se tinhamos ficado em 1ºs ou não!
Quando o delegado da organização saíu com a folha dos resultados, ficámos logo a saber que tínhamos motivo para ir celebrar num jantar regado a bom vinho...
Tinhamos ganho a 2ª regata, embora nos tivessem subido o ratting...agora a pressão estava toda do nosso lado! Fazíamos contas e mais contas e chegámos à conclusão que na terceira não podíamos ficar abaixo do quarto ou quinto se queríamos ganhar a regata. isto já para não falar que o rating estava sempre a subir! Mas a noite era de comemoração, e honrámos os pergaminhos do Infinito!

HEINEKEN REGATTA - O CONTENTAMENTO DO 1ºDIA



Íamos com a fezada de estar entre os quatro primeiros, depois dos tempos corrigidos. Mas o dedo do Jorge apontou para o topo da tabela e lá estava o INFINITO em 1º lugar! Com tanto contentamento alguém se ofereceu para tirar a foto da tripulação!
A saber, da esq. p/ a dir. Fr. Figueira, Fr. Albino, J. Quirino, Jorge Lopes (SK), Henrique Bonnet

HEINEKEN REGATTA DE SONHO







INFINITO a caminho da vitória na primeira regata! Até se pode sentir o vento a soprar entre os 17 e os 25 nós...Durante os três dias de regata foi a constante.

fevereiro 17, 2007

BERLENGAS 2007 - POSTER "QUASE OFICIAL"


No correio, a caminho de Aveiro, da AVELA e do João Veiga, viaja o Poster oficial do XII Cruzeiro à Berlenga, denominado BERLENGAS 2007.

Após o amável convite para este ano ser eu a desenhar o poster oficial, demorei cerca de 1/4 de segundo para aceitar, o tempo necessário para a resposta ir até ao satélite e voltar para o portátil do João Veiga.

Depois de passar pelas fases do costume, "desta vez é que não consigo", ou "para que é que fui aceitar isto" ou ainda, "me and my big mouth", lá cheguei ao objecto gráfico que me satisfez, aquele de que eu não me importaria de ter desenhado! Digo isto, porque sempre que dou por acabada qualquer concepção gráfica, penso sempre que foi "outro" que fez aquilo...Manias...


Só depois da aprovação oficial da AVELA, é que será deontológicamente correcto publicar o poster final, No entanto não resisto a colocar um cheirinho dele...

OLD BLOGGER, NEW BLOGGER

Pois é, também chegou a minha hora de mudar endereços e coisas mais para o New Blogger. Estou farto de ir às páginas dos caríssimos amigos que ainda têm a pachorra de passar por aqui, e não tenho conseguido fazer comentários. Há sempre qualquer coisa que falha! Sejam pacientes e tolerantes por favor! eu pelo meu lado estou na fase de sair e entrar de novo...

fevereiro 14, 2007

HEINEKEN REGATTA


Este é o mapa da ilha de St.Martin com os percursos das regatas dos dias 1 a 4 de Março. Se tudo correr bem, estarei por lá a participar na dita cuja...!!! Faz favor de ficarem cheios de verdinveja!

dezembro 18, 2006

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO



Passou-me pela cabeça a idéia mirabolante de que a Sailor Girl é uma personagem inventada por uma Tríade obscura, ou por uma Sociedade Secreta do tipo do Código Da Vinci, por forma a humanizar um desígnio secreto e obscuro relacionado com o mar.
Se calhar, no início houve uma Sailor Girl, mas depois com o sucesso do blog Atlântico Azul, a verdadeira Sailor Girl foi raptada por membros dessa Sociedade Secreta, embora nos façam crer que tudo é como dantes. Mas não, senão vejamos: - É humanamente impossível ter uma quantidade tal de posts diários, já para não falar das fotos e poemas, por vezes em tradução bilingue, e ultimamente a discreta, mas insistente, dedicação à causa monárquica, misturada com estratégias do governo para o desenvolvimento da náutica nacional...

Experimentem ir ao Atlântico Azul e a sensação é demais. Até nos falta o ar...

Vão por mim, ali há marosca...Queremos a Sailor Girl de volta!!! Se todos levantarmos a nossa voz, talvez haja esperança que ela volte, não como o D. Sebastião num dia de nevoeiro, mas como a nossa querida, simpática e simples Sailor Girl.

Não acredito em Teorias da Conspiração, mas que “eles” andam por aí, andam!

dezembro 12, 2006

TRAVESSIA EM SOLITÁRIO - ETAPAS


Embora o Jorge Lopes já tenha atravessado o Atlântico por mais de uma vez, fê-lo sempre acompanhado, inclusive com o Manuel Martins no Casvic, do Brasil para a Cidade do Cabo, desta vez efectuou a travessia do Atlântico em três etapas e em solitário.

A primeira foi Lisboa/Porto Santo, a segunda foi Porto Santo/Lanzarote e a terceira, Lanzarote/Martinica.

Qualquer delas foi diferente, como se pode ler nos e-mails que a seguir transcrevo e que resumem, e muito, a travessia em solitário.

Quando lhe perguntei, Jorge, porquê atravessar o Atlântico em solitário? A resposta foi breve e sucinta, Porque está lá à minha espera!

1ª etapa – Lisboa /Porto Santo

Cheguei a Porto Santo Sábado de manhã. Não foi a melhor viagem da minha vida, mas .. como cá cheguei, o resto depressa se esquece. Aliás esta é a grande característica do mar. Quando está mau pensamos que tão depressa não voltamos, mas depois... quando chegamos a um porto e vemos as águas calmas, pensamos que talvez tenhamos exagerado e que da próxima vez o mar não vai estar tão mau. É uma relação de amor e falsas promessas...

Por alguma razão todos os povos latinos tratam o mar no feminino. Só os Portugueses acreditam que ele ( LA Mare) merece ser tratado no masculino.

Para a história ficam 74 horas de viagem, 36 horas de vento entre os 35 / 38 nós, um barco que não sabe ou não quer andar a menos de 6 nós, uma capuchana rasgada, uma bóia de ferradura arrancada, um armário da proa descolado, um barco demasiado largo para cozinhar e 3 rolos de massa chinesa comidos em 3 dias.

De qualquer maneira acredito que a 1ª etapa é sempre a mais difícil.

2ª Etapa Porto Santo/Lanzarote

A viagem de Porto Santo à Madeira correu normalmente.Na Madeira vi os progressos do Alberto João. Fiquei com a sensação que não foram os madeirenses que arquitectaram as melhorias...Difícil, difícil, é encontrar uma livraria na Madeira...comprar um jornal...

Confesso que chegar a Lanzarote foi como receber uma lufada de ar fresco. Não há árvores mas está tudo tão arrumado, as casas estão todas juntas e são todas iguais, brancas com janelas verdes, o resto é paisagem lunar castanha ,turismo qb e sol, sol e céu azul o dia todo .A viagem não podia ser mais tranquila, 12 a 17 nós de vento pela alheta.

Continuo a ter de reparar a capuchana e o motor fora de bordo. Ainda não consegui por a funcionar o piloto de vento e se quero fazer uma travessia rápida preciso que ele funcione. Tenho medo de apertar com o piloto eléctrico.

3ª Etapa Lanzarote/Martinica

Vinte e dois dias e algumas horas durou a viagem. Média de 5 nós, o que não é brilhante, mas o grande responsável é o Pedro Gomes.Pedi-lhe ventos de 50 nós ,de preferência pela proa e tudo o que ele me arranjou foi ventos de 10 nós pela popa. Ao 11ºdia a média era de 98 milhas dia!

Vá lá, tinha apanhado um atum de 1,5 metros.

Faltava mais emoção nesta 1ª parte, assim resolvi começar a por o spi. 1 º o simétrico. Ao fim do dia estava todo rasgado.
2º dia pus o assimétrico, mas tirei-o à noite. Ao 3º dia, pus de novo o assimétrico mas resolvi não o baixar à noite . Fui dormir com o comando do piloto na mão. Tudo correu bem até às 4 horas da manhã, altura em que decidi levantar-me.

O rumo não era o melhor, arribei e ai estava o barco a fazer 8,5 nós no bom rumo. Ao fim de 10 minutos o "almirante"(piloto automático) distraiu-se e o spi embrulhou-se no estai da proa...


Imediatamente agarrei o leme, mas era tarde de mais...tentei baixar a manga...nada, tentei soltar a adriça ...nada. Tempo de meditar...Sensação curiosa...de fato de banho, noite escura , lâmpada de mineiro na testa a meio do Atlântico, a 2000 milhas das Caraíbas...Humildade, humildade...por onde andavas tu ?


Nos restantes 11 dias e depois de uma longa conversa com o Pedro ele lá me pôs na auto-estrada dos alísios e a média subiu para 150 milhas dia de VMG.


O último dia de viagem começou com um aguaceiro ao nascer do sol, 35 nós de vento e chuva, chuva com uma força impressionante, parecia que estava debaixo de uma cascata. Mais uma vez o almirante comportou-se irrepreensivelmente. Às 11 horas parou a chuva .À hora do almoço estava sol, faço os contactos habituais e ...pouco depois fico sem piloto.

Faltam 100 milhas!!...vai ser difícil chegar amanhã de manhã...o moral ressente-se, tento pôr o piloto de vento mas estão 8 nós e ele não se aguenta. Só resta uma solução. Visto pela 1ª vez o fato de mar e preparo-me para só largar o leme quando faltarem 75 milhas.Mas, ao leme pensa-se muito...desligo toda a electrónica. Quando a volto a ligar os repetidores do mastro, que desde manhã, após a carga de água ,deixaram de funcionar começam a buzinar, estão em curto-circuito.

Falo com o grande Mago Francisco Gomes que me diz para desligar os aparelhos. Corto o cabo e...como se tivesse libertado de um tumor maligno o grande almirante volta a funcionar. O moral dispara, a garrafa de Porto ressente-se...
São 11horas no Le Marin na Martinica e eu estou a fazer peões em frente ao cais de espera para poder desembarcar...


Mal acosto os autocnes ficam impressionados com o rabo de atum pendurado à popa do "Infinito".

-Tu l'a péché sur unne épave ?!-Je l'ai péché au milieu de l'Atlantique.



novembro 28, 2006

JORGE LOPES NA MARTINICA


Jorge Lopes já se encontra na Martinica. Chegou no Sábado e só ontem é que o telemóvel voltou a funcionar (humidades relativas pesadas...), daí o atraso no contacto. Os ventos não foram muito fortes e correu tudo bem! A foto já tem uns anos, mas imaginamos como deve ter sido o momento da chegada...Parabéns Jorge!!!

novembro 24, 2006

MEMÓRIA DE ACIDENTE


O surf e a queda livre eram o escape. O surf fazia com o meu filho João desde que ele tinha seis anos, a queda livre apareceu depois e foi o complemento radical. Cinquenta segundos em queda livre até abrir o pára-quedas limpavam uma semana amorfa e chata, alegrada pelas surfadas à hora de almoço quando havia ondas. Normalmente começava o dia pelas seis da manhã em direcção ao Guincho ou à Costa da Caparica ou então à Praia Grande para a surfada matinal antes de ir para o atelier. Era a maneira de capitalizar energia para aguentar a rotina. Pintava à noite junto à lareira a ouvir aquele jazz que nós gostávamos na altura. Parecia perfeito, mas faltava alguma coisa.

Tu desapareceste lá para as bandas de Tomar e o Inverno passou e a Primavera chegou. Os dias em Évora começavam cedo no aeródromo, eram os tempos dos aviões a hélice sem GPS, e cada salto demorava quase uma hora para chegar à altitude de 10.000 pés. O tempo passava devagar e as horas passavam entre um salto e o seguinte. Num bom dia de saltos conseguia fazer dois ou três.

Por acaso ou não, foi o primeiro fim-de-semana que fui sozinho para Évora saltar. Levei a tenda de campismo e armei-a junto ao monte fronteiro ao hangar. A pista ainda tinha réstias de névoa matinal, como farrapos de algodão espalhados pelo alcatrão.

As portas do hangar ainda estavam fechadas e o silêncio entranhava-se na pele juntamente com o frio húmido que caía do céu.

Ao longe, começou a ser perceptível o som dum motor de avião. Era o meu instrutor e amigo, o Amaral, que vinha com o piloto e o avião do clube que tinha estado em Tires para a revisão de rotina. Passaram à vertical do aeródromo e vi um ponto preto a afastar-se do avião. Só podia ser o Amaral a aproveitar um salto de borla. Na queda livre o que se paga é a subida do avião, ou como diz o ditado, a descer todos os santos ajudam...

O avião ao aterrar como que atraiu a actividade adormecida e num ápice o aeródromo animou-se de gente e afazeres com as preparações dos pára-quedas para os saltos antevistos durante a semana de espera.

Quando abri a porta do avião e saí lá para fora, olhei de relance para os cinco graus negativos do termómetro e não tive tempo de tremer. Era o tempo de gritar, Corta e Ready Set Go para os meus companheiros de salto. E a paz, o vento e a velocidade nas bochechas apoderavam-se de nós enquanto nos aproximávamos uns dos outros com pequenos movimentos de braços e pernas. Estávamos a voar em relativo, voávamos a cair à mesma velocidade. Éramos Deuses e tínhamos consciência disso.

Mas mesmo os Deuses obedecem ao Caos e por vezes são arrastados no turbilhão caótico da causa efeito, tal como os humanos.

E no último salto do dia, quando já ia a caminho do monte para descansar, chamam-me para completar o grupo que tinha chegado de Lisboa e ainda pretendia fazer um salto. Voltei atrás e fui equipar-me. O avião só subia com a tripulação completa, o piloto mais quatro pára-quedistas. Eu era o quarto. Era o mensageiro do Caos.

O salto correu relativamente bem, o que quer dizer que fizemos metade das figuras que tínhamos planeado em terra. Os quatro mil pés aproximaram-se enquanto leva a dizer quarenta vezes Kodakum, o bip no capacete começou a tocar e num instante o mostrador do altímetro de pulso marcava três mil e quinhentos pés, altura da separação, rotação lateral estável, piloto do pára-quedas lançado e a surpresa feita dor lancinante até à náusea.

Encontrava-me suspenso no ar, com o pára-quedas aberto, estável e travado a três mil pés de altitude. Encontrava-me igualmente suspenso na dor e no medo de olhar para o meu braço direito e não o ver lá. Parecia que mo tinham arrancado.

Com o braço esquerdo, apalpei-o e cada toque era um tormento. Dominei o vómito, a náusea de pânico e a custo poisei o braço em cima da perna direita dobrada, enquanto com a mão esquerda destravava o pára-quedas para o manobrar até à zona de aterragem.

A adrenalina manteve-me desperto e consegui aterrar não muito longe do círculo que assinalava o ponto certo de aterragem. A maneira como estava a fazer as manobras de aterragem, só com uma mão, devem ter chamado a atenção de quem se encontrava na pista de que algo de errado se estava a passar comigo, porque no momento após ter aterrado de rojo na erva e deslizava rapidamente para um estado de choque ligeiramente consciente, ainda me apercebi de pessoas a correr e a gritar na minha direcção.

Acho que ainda consegui dizer que não sentia o braço direito e que estava partido, mas não tenho a certeza. Os sons transformaram-se em cores, as cores transformaram-se em riscas brancas e pretas que me atravessavam a cabeça de lado a lado.

E tudo passou a estar do lado de lá dum nevoeiro branco. E eu? Eu estava do lado de cá do nevoeiro. Sempre estive!

novembro 16, 2006

JORGE LOPES E "INFINITO" a 15ºN e 40ºW

Embora com pouco vento, a travessia do Atlântico em solitário por Jorge Lopes no "Infinito" está a correr bem e no seu último telefonema de "Iridium" comunicou a posição de 15ºN e 40ºW. Com ele estamos todos nós, partilhando o entusiasmo do desafio e o desconhecido sempre presente.

Que os ventos e o mar te sejam favoráveis...!

Jorge Lopes no comando do "Infinito 3"

INFINITO NA POSIÇÃO 15ºN, 40ºW

novembro 15, 2006

FOTOS HISTÓRICAS DA CONSTRUÇÃO DO NAGUAL


No Nagual, blog da embarcação mais bonita de Cascais, quiçá de todo o Universo, começam a aparecer as fotos históricas da construção do Infinito 3/Figôs/Nagual. As fotos foram gentilmente cedidas pelo Jorge Lopes (o construtor e primeiro skipper), actualmente a atravessar o Atlântico em solitário no seu Infinito.

BACK IN BUSINESS (VOLTEI!)

Após estadia prolongada no hospital, sofrendo em silêncio e sem visitas autorizadas, voltou para casa curado. Está um pouco abalado, mas a recuperar as forças e o peso que lhe é normal. O apetite aumenta de dia para dia e até já se sente capaz de ir à internet, ver e enviar uns mails, ir aos blogs dos amigos e até deixar uns comentários de ocasião. Enfim, a vida começa a pouco e pouco a voltar à normalidade, para contentamento do escriba. Acabaram-se as noites de dois filmes seguidos na televisão. Acabaram-se as incursões clandestinas pelos computadores do atelier. Acabaram-se as sornas todas tortas no cadeirão do escritório e acabou-se o autismo informático em que me encontrava.

Como já devem ter percebido, refiro-me ao meu portátil que foi vítima de uma trombose digital com afectação dos orgãos da visão àcerca de um mês. Os orgãos vieram de Espanha e o transplante foi executado em Portugal com sucesso!

Estamos todos muito contentes. Cá em casa já ninguém me podia aturar! Safavam-se os fins de semana a navegar, pois claro!