À noite telefona-me o António Ferreira, igualmente companheiro de noites náuticas do Patrão de Costa a convidar-me para sairmos no Domingo. Sempre, foi a resposta, e do lado de lá ouvi dizer, Olha lá, vamos sair mas não é no meu 24 pés, vamos sair num clássico de madeira de 20 metros, Queres ir? QuezebumSIM...lá consegui articular. Então tá bem, amanhã na doca do espanhol às 10! Se eu fosse religioso acho que teria uma espécie de epifania, mas como não sou, sorri cá para dentro e fui abrir uma garrafa de Duas Quintas, pois então!
julho 18, 2006
FIM DE SEMANA DE CONTRASTES - III
Quando cheguei à doca do espanhol (por vezes sabe bem não pôr maiúsculas nos nomes próprios, além de ser bastante moderno...), e vi o FOXHOUND, parecia que estava a ler a Yacthing World e a ver todas aquelas fotos de regatas com barcos clássicos em Antigua. Este ainda era mais bonito, porque estava ali. Via-se, cheirava-se e tocava-se. E foi com uma certa emoção, muita, que integrei a tripulação do Foxhound para um passeio até Cascais.
O Foxhound é um veleiro desenhado e construído em 1935 por Camper & Nicholsons para o Vice-Rei da Austrália, Ikey Bell e foi o primeiro Yacht a ser construído segundo as (na altura) 12 meter Offshore International Rule. Foi na era das clássicas regatas de Yacths, que incluíam as famosas classes “J”. A história do Foxhound está repleta de sucessos em várias Fastnet e Admirals Cup, como ainda é visível no salão decorado com as chapas dos eventos em que participou e ainda participa. Chegou a Portugal em 1954, depois de ter ganho a Bermuda Race ao comando de Mrs Rachel Pitt-Rivers. Actualmente, António Xara-Brazil é o feliz proprietário e actual skipper do Foxhound.
As suas características são: comprimento 63’5 (19,38m), boca 12’4 (3,81m) e calado 8’9 (2,74m).
Após umas manobras um pouco mais complicadas que o costume para sair da doca, derivado do seu comprimento e de ter quilha corrida que complica sempre as manobras à ré, saímos da doca com rumo a Cascais, levando eu um sorriso do tamanho do mundo, e não estou a exagerar. A tripulação era reduzida, o Armando e a esposa Anne, o António Ferreira, eu e o nosso anfitrião e Skipper. Lá me foram explicando que o barco era um pouco mais trabalhoso que os veleiros actuais, ou seja, foram-me preparando para o esforço e dimensão do velame. Quando içámos a vela grande, comecei à procura da adriça nos diversos cabos visíveis junto ao mastro, até descobrir que era um cabo de aço bem grosso num molinete especial e diferente de tudo o que tinha visto até então. E a vela grande era bem grande. A genoa igualmente enorme, era caçada no “moinho de café”, obedecendo a procedimentos bem diferentes do costume. A tudo isto o António Xara sorria e dizia-me, Este barco dá um pouco de trabalho, mas é uma elegância a navegar. E eu ia descobrindo a pouco e pouco os lugares e os aparelhos, até que chegámos a Cascais, onde fundeámos para um mergulho antes do almoço anunciado pelo António Ferreira.
Foi com um certo pesar que pelo meio da tarde levantámos ferro e rumámos a Lisboa. Estava-se bem, as estórias do António Xara estavam magníficas e eu estava no sétimo céu, mas era hora de partir. Já mais à vontade com as manobras, regressámos num largo a querer rodar para a popa. Eu só olhava para os paus de spi e pensava, Isto em regata deve ser bonito...
Na doca, o Foxhound entrou na perfeição e atracou suavemente na experiência do skipper. As sombras já iam longas e foi a custo que me despedi com um (espero) até à próxima!
O Foxhound é um veleiro desenhado e construído em 1935 por Camper & Nicholsons para o Vice-Rei da Austrália, Ikey Bell e foi o primeiro Yacht a ser construído segundo as (na altura) 12 meter Offshore International Rule. Foi na era das clássicas regatas de Yacths, que incluíam as famosas classes “J”. A história do Foxhound está repleta de sucessos em várias Fastnet e Admirals Cup, como ainda é visível no salão decorado com as chapas dos eventos em que participou e ainda participa. Chegou a Portugal em 1954, depois de ter ganho a Bermuda Race ao comando de Mrs Rachel Pitt-Rivers. Actualmente, António Xara-Brazil é o feliz proprietário e actual skipper do Foxhound.
As suas características são: comprimento 63’5 (19,38m), boca 12’4 (3,81m) e calado 8’9 (2,74m).
Após umas manobras um pouco mais complicadas que o costume para sair da doca, derivado do seu comprimento e de ter quilha corrida que complica sempre as manobras à ré, saímos da doca com rumo a Cascais, levando eu um sorriso do tamanho do mundo, e não estou a exagerar. A tripulação era reduzida, o Armando e a esposa Anne, o António Ferreira, eu e o nosso anfitrião e Skipper. Lá me foram explicando que o barco era um pouco mais trabalhoso que os veleiros actuais, ou seja, foram-me preparando para o esforço e dimensão do velame. Quando içámos a vela grande, comecei à procura da adriça nos diversos cabos visíveis junto ao mastro, até descobrir que era um cabo de aço bem grosso num molinete especial e diferente de tudo o que tinha visto até então. E a vela grande era bem grande. A genoa igualmente enorme, era caçada no “moinho de café”, obedecendo a procedimentos bem diferentes do costume. A tudo isto o António Xara sorria e dizia-me, Este barco dá um pouco de trabalho, mas é uma elegância a navegar. E eu ia descobrindo a pouco e pouco os lugares e os aparelhos, até que chegámos a Cascais, onde fundeámos para um mergulho antes do almoço anunciado pelo António Ferreira.
Foi com um certo pesar que pelo meio da tarde levantámos ferro e rumámos a Lisboa. Estava-se bem, as estórias do António Xara estavam magníficas e eu estava no sétimo céu, mas era hora de partir. Já mais à vontade com as manobras, regressámos num largo a querer rodar para a popa. Eu só olhava para os paus de spi e pensava, Isto em regata deve ser bonito...
Na doca, o Foxhound entrou na perfeição e atracou suavemente na experiência do skipper. As sombras já iam longas e foi a custo que me despedi com um (espero) até à próxima!
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